COMPORTAMENTO DA INDÚSTRIA
ELETROELETRÔNICA EM 2010
Desempenho do Setor
O faturamento da indústria elétrica e eletrônica, em 2010, deverá chegar a R$ 124 bilhões, o que representa crescimento de 11% em relação a 2009 (R$ 112 bilhões). Na comparação a 2008, período pré-crise, o incremento foi menor que 1%, quando o faturamento do setor registrou R$ 123 bilhões.
O resultado de 2010 ficou abaixo das expectativas, uma vez que, diante do crescimento do PIB, da ordem de 7,3% neste ano, o faturamento do setor poderia ter crescido pelo menos 15%.
Este fato é justificado, primeiramente, pela valorização, da ordem de 13%, do Real em relação ao Dólar Americano, o que implicou no acirramento da concorrência dos produtos do setor, tanto no mercado externo como no mercado interno.

As vendas de produtos elétricos e eletrônicos para o exterior deverão somar US$ 7,75 bilhões, 4% acima das realizadas no ano passado, cujos valores, convertidos para Reais, demonstraram queda de 9%. Com isto, a participação das exportações no faturamento total da indústria passará de 13,4%, em 2009, para 11,0%, em 2010.



Por sua vez, as importações deverão crescer 41% em Dólar, passando de US$ 25 bilhões, em 2009, para US$ 35 bilhões, neste ano, que, em Reais, corresponde ao crescimento de 25%.
Conforme o gráfico abaixo, verifica-se que, considerando apenas os bens finais eletroeletrônicos, a participação das importações no mercado interno, que foi de 20,4%, em 2009, passará para 21,5%, em 2010.



A queda de 9% registrada nos negócios da área de Telecomunicações afetou, significativamente, o faturamento do setor, em função da retração dos investimentos em infraestrutura de telefonia, especialmente móvel (estimada em 15%), e à ligeira queda (2%) no mercado de telefones celulares.
Especificamente quanto aos telefones celulares, a produção desses aparelhos deverá atingir 61 milhões de unidades em 2010, pouco abaixo do verificado em 2009 (62 milhões de aparelhos). Deste montante, 47 milhões foram para o mercado interno (46 milhões, em 2009), e 14 milhões para o exterior (queda de 2 milhões vis a vis a 2009).
Setorialmente, os segmentos de Informática (+13%), Material Elétrico de Instalação (+12%), e Utilidades Domésticas (+16%), apontaram incrementos expressivos, e tiveram forte influência do crescimento do consumo interno.
A manutenção do crédito ao consumidor, o aumento de renda e emprego, e dos programas implantados pelo governo para proteger a economia do país da crise econômica mundial, influenciaram positivamente o mercado de eletroeletrônicos.
Desta forma, foi fundamental para estes segmentos a redução do IPI para os eletrodomésticos, que vigorou até janeiro de 2010, e dos insumos para a construção civil, prevista, inicialmente, para até final de 2010, e agora prorrogada por um ano. No caso de Informática, foi fundamental a redução do PIS/COFINS.
Neste ano, o mercado de PCs no Brasil deverá atingir 14 milhões de unidades, superando em 17% o observado no ano passado (12 milhões). Deste montante, 70% correspondem ao mercado oficial.
No caso dos Materiais Elétricos de Instalação, verificou-se a influência do crescimento da indústria da construção civil, motivado pelo programa Minha Casa Minha Vida - apesar do atraso em seu cronograma - e, também, pelos investimentos das construtoras privadas, com recursos dos bancos, especialmente do BNDES.
Destaca-se que o mercado de produtos elétricos para pequenas reformas e construções próprias também cresceu, mas, neste caso, devido à melhoria da renda da população, o que motivou investimentos na qualidade da moradia.
Por sua vez, também tiveram crescimentos significativos, as áreas de bens de capital do setor eletroeletrônico, como Automação Industrial (+7%) e Equipamentos Industriais (+22%).
Influenciaram, efetivamente, o comportamento desses setores os equipamentos de curto ciclo de produção (seriados). Os produtos de longo ciclo (sob encomenda) não tiveram a mesma boa performance, pois dependem de grandes projetos, como ampliação ou implantação de novas unidades fabris de grande porte, que ficaram retraídos durante este ano.
Deve-se destacar, ainda, a importância dos estímulos do governo federal e dos governos estaduais para a indústria de bens de capital, por meio da oferta de recursos para investimentos, o que garantiu suporte aos investidores para promover o crescimento de suas atividades, em condições adequadas.
Na área de GTD - Geração, Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica (+14%) -, observou-se, durante o ano de 2010, a retomada dos investimentos em infraestrutura de distribuição de energia elétrica, em função do aumento do consumo, principalmente industrial, como também da continuidade do programa Luz para Todos.
Por sua vez, os investimentos em Geração e Transmissão de Energia Elétrica foram mantidos, inclusive aqueles estabelecidos pelo PAC - Programa de Aceleração de Crescimento - do governo federal.
Apesar disso, o setor está preocupado com o aumento da participação dos equipamentos importados nas concorrências para a compra de equipamentos destinados aos grandes projetos contidos no PAC, como, por exemplo, na Geração de energia elétrica do complexo Rio Madeira e na linha de Transmissão Tucuruí-Manaus, que estão tendo participação significativa de fornecedores estrangeiros.
As indústrias locais desses equipamentos elétricos levam dupla desvantagem nas licitações. Elas perdem as concorrências em função da valorização cambial e, também, devido aos incentivos dados às importações de bens de capital para os investimentos na Amazônia Ocidental, estabelecidos pelo Decreto Lei nº 356 de 1968, que prevê desoneração dos impostos federais (entre eles o imposto de importação). O impacto dessas importações e o reflexo na produção local só poderão ser verificados num futuro próximo, quando estas contratações forem efetivamente realizadas e contabilizadas nas estatísticas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
Quanto aos Componentes Elétricos e Eletrônicos, o crescimento do faturamento em 2010, em relação a 2009, foi de 13%, atingindo R$ 9,4 bilhões. Esta performance decorre da evolução dos principais mercados desse segmento no Brasil, como bens de capital (ex: diodos de potência), eletrodomésticos (ex: capacitores) e indústria automotiva (ex: componentes eletromecânicos). Também motivou este crescimento, a falta destes componentes eletrônicos no mercado mundial.
O crescimento do setor eletroeletrônico neste ano pode ser constatado, também, pelo número de empregados diretos que passará de 160 mil, no final de 2009, para 175 mil funcionários, no final de 2010, com geração de 15 mil novos postos de trabalho.
Os investimentos em ativo fixo do setor para o aumento da produção manteve-se no mesmo nível de 2009, representando 3% do montante faturado pela indústria, ou seja, R$ 3,6 bilhões.

Perspectivas para 2011
Para 2011, a previsão é de que o faturamento da indústria eletroeletrônica crescerá 13% em relação a 2010, atingindo cerca de R$ 140 bilhões.
Deverá contribuir para esta projeção, a con-tinuidade do ambiente favorável para o con-sumo, com a manutenção da renda do traba-lhador, do elevado nível de ocupação de mão de obra, e da permanência dos investimentos privados e públicos.
Ao mesmo tempo, espera-se a retomada dos investimentos na infraestrutura de Teleco-municações, bem como a continuidade dos investimentos em Geração, Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica.
A área de Informática contará com a prorro-gação, até 2014, da isenção do PIS/Cofins para PCs.
A construção civil deverá permanecer como prioridade do governo, gerando negócios no segmento de Material Elétrico de Instalação.
O mercado interno continuará sendo o principal alvo das empresas no próximo ano, uma vez que as dificuldades competitivas decorrentes do valor da nossa moeda deverão permanecer.
Nesse sentido, as exportações deverão ficar no mesmo patamar de 2010, US$ 7,8 bilhões, enquanto as importações crescerão em torno de 17%, atingindo o montante de US$ 41,2 bilhões.
Quanto ao emprego, a trajetória de crescimento deverá ser mantida, alcançando 178 mil funcionários no final de 2011.
Os investimentos da indústria eletroeletrônica deverão chegar a US$ 5,3 bilhões, cerca de 4% do faturamento do setor.
Abinee/Decon – 30/11/2010