Inteligência para aumentar a eficiência do setor elétrico

05-jul-2019

Por Renan Joel, Diretor do Portfólio de Energia e Indústria da Reed Exhibitions Alcantara Machado

Quem acompanha o dia a dia da indústria certamente já deve ter notado o impacto que a expansão do acesso à Internet e o surgimento de novas tecnologias digitais têm provocado dentro das fábricas. Afinal de contas, nunca se promoveu o lançamento de produtos e serviços de maneira tão rápida. Do outro lado, porém, a transformação das máquinas e sistemas implica em algumas consequências. Uma delas é que nunca consumimos tanta energia como hoje em dia.

Responsável por boa parte dos custos da indústria, otimizar a demanda energética é uma tarefa cada vez mais desafiadora – ainda mais quando nos lembramos de que estamos apenas no começo de uma longa jornada de expansão. De acordo com projeções do mercado, por exemplo, até 2030, nosso País deverá aumentar em quase 90% o consumo de energia, considerando todas as matrizes disponíveis.

Esse excedente de carga terá várias origens. A principal delas, no caso das fábricas, será a adoção de novos padrões de inteligência, com automação e digitalização dos principais serviços e operações. Pesquisas indicam que nos próximos anos teremos mais de 50 bilhões de dispositivos inteligentes conectados à Internet das Coisas (IoT), consumindo muito mais energia do que sequer podemos imaginar hoje. Ou seja, independentemente do segmento de atuação, discutir o futuro desse segmento é um assunto estratégico.

Nesse sentido, como o setor elétrico pode se transformar para acompanhar essa mudança, expandir sua capacidade e atender a enorme demanda do futuro? Vale dizer que gerar mais energia não é a única resposta possível: hoje, ponto em questão é o que precisamos fazer para otimizar o fluxo energético do Brasil, sobretudo no ambiente industrial.

Para responder essa pergunta, portanto, o primeiro passo é entender que não basta suprir quanto a demanda irá crescer; o grande fator, no caso, é descobrir o que temos de fazer para melhorar nossa matriz de produção, transmissão e consumo de energia. O setor de energia elétrica, por exemplo, vem se modificando em todas as partes do mundo, e o Brasil precisa acompanhar essas tendências.

Essa postura exige debates especializados e a troca de experiências entre especialistas, fornecedores, geradores e consumidores de energia. Em julho, São Paulo receberá a FIEE Smart Energy, com o apoio da ABINEE, em um evento que tem tudo para estimular e iniciar esses diálogos tão importantes para o futuro de nosso País.

O objetivo desse tipo de encontro é detectar e propor soluções práticas para o amanhã. Mas eles terão, sem dúvida, impacto imediato. Entre as questões que precisam ser analisadas, temos que destacar cinco pontos essenciais: entender a descentralização dos sistemas de geração de energia; o avanço das tecnologias de armazenamento; a intensificação da digitalização do setor elétrico; como buscar e utilizar novas fontes renováveis, como as matrizes eólica e solar; e de que forma podemos avançar na proposta de descarbonização do sistema energético, alinhando o mercado às demandas climáticas.

Em um mundo cada vez mais conectado, é importante usar a tecnologia para tornar os processos mais inteligentes. As redes inteligentes de energia (ou Smart Grids) demonstram com clareza as oportunidades de se integrar os diversos estágios relacionados à eletricidade. Essas redes aliam tecnologia e automação de processos, equipamentos e protocolos para medir a qualidade da energia, proporcionar o envio e recebimento de informações em tempo real e permitir um consumo mais eficiente e abrangente. Nos Estados Unidos, estudos realizados pelo Electric Power Research Institute indicam que a adoção de sistemas inteligentes para a gestão elétrica pode gerar ganhos de até US$ 2 bilhões, com redução de desperdício, maximização da oferta, integração de serviços etc.

Outro ponto a ser considerado é que a busca por novas fontes e opções no mercado de energia tem o potencial de nos ajudar em relação à redução na emissão de carbono. O Brasil participa de uma série de acordos para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e possibilitar um futuro mais saudável para as próximas gerações.

A maior implicação dessa corrida de conservação ambiental é a substituição das fontes de combustíveis fósseis por novas matrizes de energia elétrica que sejam mais limpas e sustentáveis. Os grandes exemplos dessa possibilidade, aqui, estão concentrados nas formas eólica e solar que, hoje, não representam nem 10% do total gerado no mercado brasileiro. Levantamentos recentes, divulgados por companhias públicas, indicam que seria possível dobrar a capacidade elétrica nacional apenas aproveitando a energia dos ventos e do sol.

Estamos em uma posição privilegiada para o desenvolvimento de novas soluções. Mas também precisamos mudar a postura e transformar essas oportunidades em ações - para a melhoria dos processos e serviços e para a criação efetiva de alternativas. Para crescer e suportar as exigências do futuro, o setor energético precisa encarar com urgência a demanda por inovação.

Ao trabalhar com uma visão preditiva do cenário do segmento, poderemos dar início à Era da Energia 4.0, com maior eficiência operacional e mais competitividade. Estamos caminhando para uma fase de automação e descentralização: a energia precisa acompanhar esse movimento.

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