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Como empresas de telecom correm para se tornar net zero

Como empresas de telecom correm para se tornar net zero

Estratégias para reduzir as emissões envolvem também a cadeia de fornecedores

Crédito da imagem: Rawpixel no Freepik  /  Delcy Mac Cruz

A corrida global para se tornar net zero aflige também as empresas de telecom.

No caso, a aflição se dá porque no Acordo do Clima de Paris, em 2015, quase 200 países se comprometeram em reduzir o aquecimento global a 1,5ºC até 2050.

Esse comprometimento integra, também, as empresas de telecom e toda a cadeia de fornecedores.

Mais: para cumprir o Acordo do Clima até 2030 será preciso reduzir pela metade as emissões globais de gases de efeito estufa (GEEs) - causadores do aquecimento global.

 

O compromisso será cumprido?

A resposta é dúvida, até porque o mundo registrou a pandemia de Covid 19 e guerras que afetam toda a cadeia de suprimentos de insumos.

Mas em que pese a situação, companhias de telecom com atuação no Brasil se comprometem a fazer sua parte.

E, dentro do possível, prometem até antecipar o cumprimento.

 

Como obter net zero

Em resumo, net zero representa uma redução de 90% das emissões de GEEs para nível tão próximo quanto possível de zero.

A Science Based Target Initiative (SBTi), entidade que valida planos net zero de acordo com a ciência, define em seu padrão net zero que as empresas devem adotar medidas para reduzir pela metade suas emissões até 2030, como citado anteriormente. E que, até 2050, ao menos 90% das emissões devem ser mitigadas.

A partir daí, os offsets, ou compensações, só são admitidos para um máximo de 10% das emissões totais, as chamadas emissões residuais.

Outra diferença é que o net zero diz respeito a todos os gases de efeito-estufa e não apenas ao CO2.

 

Exemplos

O blog FIEE lista a seguir como as players globais de telecom Nokia e Vivo empreendem seus compromissos net zero. 

Vivo antecipa cumprimento

A Vivo pretende atingir zero emissões líquidas, até 2035, cinco anos antes do previsto pela companhia, controlada pela Telefónica.

O compromisso da empresa foi anunciado em junho último.

Para chegar ao net zero em 2035, a Vivo deverá atingir 90% de redução de emissões em toda a cadeia de valor (escopos 1, 2 e 3), incluindo as emissões de fornecedores, que hoje representam 74% do total.

 

Florestas - Os 10% de emissões remanescentes serão neutralizadas por meio do investimento, principalmente, em projetos de restauração de florestas em diferentes biomas neste mesmo período, relata a empresa (leia mais aqui).

 

Fornecedores - “A transformação de nossa cadeia de fornecedores para o net zero é nosso grande desafio atual e oportunidade de fazer a diferença pelo planeta. Iniciamos, há dois anos, uma importante jornada junto aos nossos 125 fornecedores carbono intensivos, que respondem por cerca de 85% das emissões da nossa cadeia de suprimentos e agora miramos novos desafios”, destaca o vice-presidente de Relações Institucionais e Sustentabilidade da Vivo, Renato Gasparetto.

 

Inventários - A empresa mantém um programa de sensibilização, engajamento e consultoria, como auxílio na elaboração de inventários e planos de ação para que os fornecedores carbono intensivos assumam compromissos e metas de ambientais voluntárias.

Segundo a empresa, em apenas dois anos do programa foi possível dobrar o percentual de empresas atuando pelo clima e já possui 61% delas engajadas nesse propósito.

 

Metas - A companhia incorporou em seu processo de compra requisitos de sustentabilidade e, desde o início deste ano, enfatizou em contratos a solicitação a seus fornecedores de serviços intensivos em carbono, que estabeleçam metas de redução de emissões alinhadas com a iniciativa Science Based Targets (SBTi).

 

Premiação - Outra medida será reconhecer e premiar os fornecedores, diferenciando os que mais se destacarem no programa.

Nokia promete emissões nulas até 2040

Já a Nokia se compromete a atingir emissões líquidas nulas até 2040, dez anos antes do prazo firmado pelos signatários do Acordo de Paris.

A empresa de telecomunicações também afirmou que irá acelerar o seu objetivo atual de reduzir para metade as emissões da cadeia de valor (escopo 1, 2 e 3) até 2030, em comparação com uma base de referência de 2019.

 

Renovável - Para tanto, a empresa sediada na Finlândia comprometeu-se a utilizar 100% de eletricidade renovável nas suas próprias instalações até 2025, tendo já atingido 63% do seu objetivo em 2022.

A Nokia afirmou que está também a trabalhar com a sua cadeia de fornecimento para ajudar na transição para as energias renováveis.

 

Frota e instalações - Com base na sua estratégia de sustentabilidade, a Nokia afirmou que planeia descarbonizar completamente a sua frota de automóveis e das suas instalações e que irá recorrer a alternativas de eletricidade com baixo teor de carbono para alimentar as suas operações.

 

Solar - Atualmente, o fabricante de equipamento de rede utiliza uma combinação de energia solar no local, contratos de aquisição de energia e produtos de eletricidade renovável - obtidos diretamente de fornecedores de energia - e certificados de eletricidade renovável para adquirir eletricidade renovável.

 

Frotas marítimas - No entanto, a empresa afirmou que a descarbonização das suas frotas marítimas continua a ser um desafio para os seus esforços de redução das emissões de âmbito 1.

Segundo a empresa, ela é “uma das poucas” empresas de telecomunicações com uma frota marítima, que utiliza para instalar cabos intercontinentais, e que as embarcações marítimas dependem em grande medida de combustíveis fósseis.

 

Biocombustíveis - A Nokia afirmou que investiu em navios mais eficientes e que está também a experimentar biocombustíveis para reduzir a sua pegada de carbono (leia aqui texto da companhia sobre net zero).